A minha BD Ano 2012 foi parar ao regresso do zine Cru - que salta para o número 34, depois do último ter sido o 13 (em 1999) e nunca ter sido feito o #12... a cena dos zines é tudo uma aldrabice, pá! Isto só para comemorar também os 20 anos do Cru!
Os lançamentos já estão programados para dia 25 de Maio no V5 (Porto) e em Lisboa na 20ª Feira Laica.
Sexta-feira, 25 de Maio de 2012
Terça-feira, 15 de Maio de 2012
REP na CCC!!!! This is good news!!!

ISTO é uma boa notícia! A Chili Com Carne e a Thisco editou um novo livro do RUI EDUARDO PAES!!! O livro intitulado Bestiário Ilustríssimo inclui ilustrações pela Joana Pires - a "besta-remix" de cima é feito desses desenhos do livro... É quase um teenage-wet-dream!
Ah! Serigrafias dessas ilustração estão para mostra e venda na Trem Azul até ao final do mês!
CIA info 76.1

Não é só de Amor por Cristo Protestante e Allah que vive um Homem! Têm de haver um espaço também para o Grande Cabrão! Este ano fui ao SWR ver se os Discípulos do Diabo portavam-se bem ou não! O objectivo é fazer uma BD para acompanhar o DVD da comemoração dos 15 anos de Festival, a sair com a revista Loud. Esta foi a publicidade à BD que saiu no Guia do Festival. O gato é do Atak porque fiz a PUB num caderno com desenhos dele...
Entretanto a BD começou a avançar, eis a página 3 da "reportagem":
Entretanto a BD começou a avançar, eis a página 3 da "reportagem":
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
#23 : Inverno
Autores confirmados para o Mesinha de Cabeceira #23: Jucifer, Ricardo Martins, David Campos, Rudolfo, João Chambel, Daniel Lopes, Sílvia Rodrigues, Afonso Ferreira, Rafael Gouveia, André Coelho, José Smith Vargas, André Lemos, Pepedelrey, Bruno Borges, João Maio Pinto, Gonçalo Duarte, Silas, João Fazenda, Stevz (Br), Martin Lam López (Pe/Es), Diego Gerlach (Br), dice industries (Ale), José Feitor, Uganda Lebre, Filipe Abranches, João Cravo...
TEXTOS em INGLÊS ou SEM PALAVRAS
Mínimo de 10 páginas (sem máximo)
Entrega: 23 JUNHO
Mínimo de 10 páginas (sem máximo)
Entrega: 23 JUNHO
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
Azeiteiros
O Ghuna X deu-me um colhón de CDs mitras dele para trocar... Que monte de esterco! A minha vingança será terrível!!!
Começo pelo CD de promoção dos Dawholeechilada e do single Supersónica!! (Universal Spain; 2002). Os nostros hermanos tem o pior gosto do mundo ou se calhar os chineses até podem ter pior mas ao menos não os percebemos... Hard Rock com vocalizações rapadas do mais azeiteiro possível... e uma capa a imitar os "comic-books" da Marvel. Tanto desperdício de recursos para 3 minutos e 1 segundo de música imunda...
Pior é o norueguês Egil Olsen e o álbum nothing like the love i have for you (IKNOWWHATYOUDIDLASTRECORDS; 2009) uma espécie de Badly Drawn Boy com letras rídiculas que se podem desculpar para rapaziada com menos de 20 anos mas não para um gajo na casa dos 30. A nossa sociedade há muito que sofre o terrível Sindroma de Peter Pan mas ao menos conterrâneos seus queimaram igrejas, massacraram comunas e outros poemas... Olsen, seu merdas, pega na navalha e vai matar um bófia, vai!
E o que dizer de Fevertech? When junk has a [entra uma imagem de um coração] (2005) é uma bosta electrónica de breakbeats, electro e batidas de mau-gosto, confusão de identidade e sobretudo de ego obtuso que não sabe quando um disco deve chegar ao fim... Não encontrei a capa do disco porque nem me esforçei para tal... que se lixe!
...
Mas onde o gajo X arranjou esta porra toda?
Começo pelo CD de promoção dos Dawholeechilada e do single Supersónica!! (Universal Spain; 2002). Os nostros hermanos tem o pior gosto do mundo ou se calhar os chineses até podem ter pior mas ao menos não os percebemos... Hard Rock com vocalizações rapadas do mais azeiteiro possível... e uma capa a imitar os "comic-books" da Marvel. Tanto desperdício de recursos para 3 minutos e 1 segundo de música imunda...
Pior é o norueguês Egil Olsen e o álbum nothing like the love i have for you (IKNOWWHATYOUDIDLASTRECORDS; 2009) uma espécie de Badly Drawn Boy com letras rídiculas que se podem desculpar para rapaziada com menos de 20 anos mas não para um gajo na casa dos 30. A nossa sociedade há muito que sofre o terrível Sindroma de Peter Pan mas ao menos conterrâneos seus queimaram igrejas, massacraram comunas e outros poemas... Olsen, seu merdas, pega na navalha e vai matar um bófia, vai!E o que dizer de Fevertech? When junk has a [entra uma imagem de um coração] (2005) é uma bosta electrónica de breakbeats, electro e batidas de mau-gosto, confusão de identidade e sobretudo de ego obtuso que não sabe quando um disco deve chegar ao fim... Não encontrei a capa do disco porque nem me esforçei para tal... que se lixe!
...
Mas onde o gajo X arranjou esta porra toda?
Quarta-feira, 11 de Abril de 2012
CIA info 77.0
Acabei de escrever a BD pró próximo número do Prego! Depois do Rock'n'Roll são as Drogas!!! São 5 páginas para desenhar agora...
Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
Farçolas

Mouse On Mars : niun niggung (Sonig / Rough Trade; 1999)
Ouvir este CD é como ver um "mico-leão dourado" - nome que se dá no Brasil para o bicho da capa do disco - a atravessar campos de golfe à procura de fruta, ou a entrar num campos de ténis para caçar pássaros, ou a visitar estufas para deglutar insectos, a escancarar galerias de arte coentemporânea com aquelas instalações kitsch para comer lagartos ou a nadar numa piscina pública da RDA para jogar badminton, entre várias outras hipóteses de uma vida misturada de vídeojogo, ambientes artíficiais e restos mortais de texturas analógicas.
A edição norte-americana tinha uma capa diferente bem como o "set" das músicas, não se sabe bem porquê... Talvez porque o disco é o que é, pós-techno e IDM de um projecto que não tem rival ainda nos dias de hoje. Claro que é um disco que se deve ouvir em momentos especiais, só não sei quais... hum, talvez durante e depois de uma experiência homossexual com alguém de Marte?
Sábado, 31 de Março de 2012
Sexta-feira, 30 de Março de 2012
I-I-I-I

Festival de Helsínquia 2008 (?), foto sacada ao blogue do Marko Turunen, Kristiina a falar comigo, Tommi Musturi por trás, Jucifer e Marko ainda mais para trás (?).
Sexta-feira, 23 de Março de 2012
São uns animais... unzANIMAIS!!!!


Puppetmastaz : The Break Up (Discograph; 2009)
Techno Animal versus Reality (City Slang; 1998)
Com o avançar da idade a ideia de fazer uma discografia completa de uma banda passa a ser percebido como uma idioteira total porque são poucas as bandas ou músicos que merecem a nossa atenção e dedicação. Os Puppetmastaz são das poucas excepções à regra. Reparei que daqui uns dias vão lançar o seu quinto álbum de originais, e aproveitei para comprar o último, datado de 2009. Lá comprei mais barato por já terem passados 3 anos e assim juntei à colecção dos CDs desta banda de "marretas do Hip Hop", que agora se encontra completa porque até tenho o álbum ao vivo Clones - Live in Berlin (Louisville; 2007).
Cada disco deste bonecos toscos vale a pena: pela frescura da estreia de Creature Funk (New Noise; 2003), pelo "groove" esgroviado do segundo álbum Creature Shock Radio (Louisville; 2005) e pelo poder sólido e conceptual do The Takeover (Discograph; 2008) ... Este The Break Up é também conceptual, os "fantoches do guetho" imitam as bandas humanas tão bem que se zangam e cada elemento começa a sua carreira a solo! Assim cada faixa do disco, menos a primeira, é feita por cada elemento da banda fazendo juz ao cliché "o conjunto não é igual à soma das partes". Tendo de base o Hip Hop misturam-se vários outros estilos urbanos como o Dubstep, Electro / Techno, Ragga, Dancehall e até um Drum'n'Bass final. Os gajos que estão por detrás dos bonecos sempre souberam o que fazem, e lá porque fizeram um disco menos coeso, não é à primeira que se percebe que as faixas são malhas de alta qualidade dançável ou que o humor continua a ser inteligente e súbtil... À primeira audição parece um bocado mais do mesmo, sem as qualidades dos outros discos. É preciso dar tempo para percebermos que o que não faltam aqui são "singles" potenciais para qualquer pista de dança. Que há aqui grandes malhas que nenhum humano consegue fazer tão bem como estes patetas alegres.
Diz o figurino, que o próximo álbum será o "comeback", né? Os regressos das bandas são sempre desastrosos! Mas eu tenho fé nos Puppetmastaz!
Quanto aos Techno Animal só lamento nos anos 90 terem-me passado ao lado porque este humanos monstruosos são apenas dois dos artistas mais admiráveis Justin Broadrick (Napalm Death, Godflesh, Jesu) e Kevin Martin (Curse of the Golden Vampire, The Bug). Vêm da vaga Illbient que se criou nos anos 90, em que o Dub, ritmos Hip Hop e Industrial (ou pós-industrial ou power electronics) se funde para criar ambientes negros, de pesadelo, da má "trip". Aqui ninguém fica alegre! Este disco, curiosamente, foi feito em parceria de intercâmbio de ficheiros. Alguns artistas enviaram sons criados por eles para os Techno Animal, eles trabalharam sobre eles e fizeram algumas faixas (que aparecem no disco) e depois devolveram aos autores originais que ainda misturam o material. Assim intercalado aparecem faixas de Techno Animal com as novas (re)misturas de Porter Ricks, Ui, Spectre, Tortoise e Alec Empire (Atari Teenage Riot). O resultado não é assim tão impressionante, se ninguém disse-se o quer que fosse, não conseguiria descobrir qual o tema original e qual o tema misturado. Talvez só no último tema, Atomic Buddha, se sinta os excessos Drum'n'Bass / Digital Hardcore do Empire, projectando o que viria a ser Curse of The Golden Vampire.
Com tantas bandas de humanos inúteis que voltam, só voltam fantoches maravilhosos e menos os Techno Animal (e os Curse!)... Injustiça Cósmica! Deus odeia-nos!
Quinta-feira, 22 de Março de 2012
Como construir uma bomba nuclear...
Vou participar na OH RÍÍÍÍCA.... Não seja chACTA, um manual faz-tu-mesm@ de partilha livre de conhecimentos.A Graficando propõe-se a fazer uma compilação dos vossos conhecimentos numa fanzine em formato livro, de tamanho A5, capa em cartão serigrafado (a uma ou 2 cores), com as paginas ... fotocopiadas/ impressas a preto e branco, montado num workshop de encadernação de livros a dar na Kultdulé, dia 29 de Março.
Fiz sobre como enviar livros pelos CTT mais baratos, informação para qualquer pessoa que goste de enviar livros aos amigos...
Sexta-feira, 16 de Março de 2012
Infecção bruta

Porque raios haveria eu de me interessar pelos Wraygunn?
É bem capaz de ser um dos melhores projectos de Pop/Rock português nos dias de hoje, com uma boa e sofisticada produção que percorre os Blues e a Soul com balanço para revisitá-las sem clonagens nostálgicas ou mimetimos chatos. Este projecto está na linha de revitalização da música (negra) norte-americana onde encontramos paralelos e influências de Jim White ou (claro) Jon Spencer Blues Explosion. Wraygunn sabem o que fazem e têm pinta. Mas sejamos sinceros não passam de Pop / Rock, coisinha fofinha para agradar pessoas, marcas de telemóveis e jingles publicitários. Quem quiser o "Pop canibal" que o oiça, ao menos esta tem qualidade – coisa rara em Portugal.
O que me fascinou neste novo e quinto registo da banda é a coragem senil e provinciana de lhe intitular de L’art brut (Arthouse / EMI; 2012). Art Brut!? Mas aonde? Em meio dúzia de desenhos de um tal Artur (?) que está na embalagem do disco? A pretensão de usar o termo cunhado por Jean Dubuffet para mais uma produção medíocre de música ligeira é de bradar aos céus. Talvez porque nos últimos anos tenha havido movimentações neste tipo de arte como os acontecimentos (mais ou menos mediáticos) do Hospital Miguel Bombarda / Pavilhão de Segurança, a recuperação do filme Jaime de António Reis e Margarida Cordeiro, os Subsídios da MMMNNNRRRG, criação da Associação Portuguesa de Arte Outsider, exposição de António Peralta no Museu de Etnologia ou a futura grande mostra de Art Brut na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, etc…Até uma daquelas revistas de novas tendências paneleirosas, ou a Dif ou a Parq já não me lembro, já publicou um artigo sobre “art brut” há poucos meses... O termo deve estar mesmo na moda, até há uns ranhosos do Indie Rock ingleses / alemães chamados de Art Brut...
E como Wraygunn e as centenas de bandas Pop / Rock deste planeta nada têm mais nada a dizer, decicidiram investir neste “novo” conceito “cool”. O que é estranho porque vivemos momentos terríveis de crise económica, social e ambiental que são ricas para comentário político ou para exercício de novas praticas de inovação / mudança – mas não, os Wraygunn fazem parte daquela facção do Rock que afirma que não se mete em política, que o Rock é apenas para divertir, etc… Pá, divirtam-se, façam dinheiro com os concertos, façam-se à vida, agora não se armem em espertos que o pessoal não é burro!
É natural que quem descubra a Art Brut – ou Outsider Art ou Arte Crua – fique fascinado por ela e queira divulgá-la ou associar-se a ela – eu que o diga com o projecto editorial MMMNNNRRRG. Os seus autores, todos eles marginais do mundo da arte comercial ou institucional, fazem arte (desenho, pintura, escultura, instalação, arquitectura, decoração) a maior parte das vezes em autismo com o mundo, fazem-no porque é a única forma de expressão que conhecem e os resultados que surgem tendem a ser cosmogónicos e inéditos em criatividade – estes artistas não têm as referências artísticas da cultura oficial. Exemplos: o brasileiro Estevão Silva da Conceição criou na sua favela um edifício parecido com as construções de Antoni Gaudi sem no entanto alguma vez ter conhecido a obra do arquitecto catalão; Henry Dagger criou o maior livro de sempre de 15 145 páginas onde conta a história das suas “Vivian Girls”, um universo que criou em seis décadas às escondidas de todos até o seu quarto ser invadido após a sua morte. Na música também há “outsiders” para além daqueles que se gostam de chamar “underground” porque é uma forma de auto-promoção, como André Robillard, Daniel Johnston ou Wesley Willis… Podia dar mais mil exemplos que não se encontra nenhum paralelo com Wraygunn porque esta malta da banda não sofre de doenças mentais, sabe vender bem o seu peixe e têm tanta visão ou imagética como centenas de outros branquinhos do mundo ocidental que gostam de Rock.
O última tema do disco, I’m for real, tenta ser a única justificação deixada pela banda para se afirmar como criadores compulsivos e que se estão a cagar para categorias musicais, que ‘tão fartos de fakes e isso tudo. Yeah! Somos a cena real, tásjaver!? Sim vejo perfeitamente até porque até percebo "americano"... O que é bom na "cultura digital" é que tudo é imaterial, recebi o disco dos Wraygunn em sistema de descarga, ouvi o que tive de ouvir no Mediaplayer e a seguir deitei-o no caixote do lixo do PC. Só falta carregar na função “esvaziar reciclagem”.
É bem capaz de ser um dos melhores projectos de Pop/Rock português nos dias de hoje, com uma boa e sofisticada produção que percorre os Blues e a Soul com balanço para revisitá-las sem clonagens nostálgicas ou mimetimos chatos. Este projecto está na linha de revitalização da música (negra) norte-americana onde encontramos paralelos e influências de Jim White ou (claro) Jon Spencer Blues Explosion. Wraygunn sabem o que fazem e têm pinta. Mas sejamos sinceros não passam de Pop / Rock, coisinha fofinha para agradar pessoas, marcas de telemóveis e jingles publicitários. Quem quiser o "Pop canibal" que o oiça, ao menos esta tem qualidade – coisa rara em Portugal.
O que me fascinou neste novo e quinto registo da banda é a coragem senil e provinciana de lhe intitular de L’art brut (Arthouse / EMI; 2012). Art Brut!? Mas aonde? Em meio dúzia de desenhos de um tal Artur (?) que está na embalagem do disco? A pretensão de usar o termo cunhado por Jean Dubuffet para mais uma produção medíocre de música ligeira é de bradar aos céus. Talvez porque nos últimos anos tenha havido movimentações neste tipo de arte como os acontecimentos (mais ou menos mediáticos) do Hospital Miguel Bombarda / Pavilhão de Segurança, a recuperação do filme Jaime de António Reis e Margarida Cordeiro, os Subsídios da MMMNNNRRRG, criação da Associação Portuguesa de Arte Outsider, exposição de António Peralta no Museu de Etnologia ou a futura grande mostra de Art Brut na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, etc…Até uma daquelas revistas de novas tendências paneleirosas, ou a Dif ou a Parq já não me lembro, já publicou um artigo sobre “art brut” há poucos meses... O termo deve estar mesmo na moda, até há uns ranhosos do Indie Rock ingleses / alemães chamados de Art Brut...
E como Wraygunn e as centenas de bandas Pop / Rock deste planeta nada têm mais nada a dizer, decicidiram investir neste “novo” conceito “cool”. O que é estranho porque vivemos momentos terríveis de crise económica, social e ambiental que são ricas para comentário político ou para exercício de novas praticas de inovação / mudança – mas não, os Wraygunn fazem parte daquela facção do Rock que afirma que não se mete em política, que o Rock é apenas para divertir, etc… Pá, divirtam-se, façam dinheiro com os concertos, façam-se à vida, agora não se armem em espertos que o pessoal não é burro!
É natural que quem descubra a Art Brut – ou Outsider Art ou Arte Crua – fique fascinado por ela e queira divulgá-la ou associar-se a ela – eu que o diga com o projecto editorial MMMNNNRRRG. Os seus autores, todos eles marginais do mundo da arte comercial ou institucional, fazem arte (desenho, pintura, escultura, instalação, arquitectura, decoração) a maior parte das vezes em autismo com o mundo, fazem-no porque é a única forma de expressão que conhecem e os resultados que surgem tendem a ser cosmogónicos e inéditos em criatividade – estes artistas não têm as referências artísticas da cultura oficial. Exemplos: o brasileiro Estevão Silva da Conceição criou na sua favela um edifício parecido com as construções de Antoni Gaudi sem no entanto alguma vez ter conhecido a obra do arquitecto catalão; Henry Dagger criou o maior livro de sempre de 15 145 páginas onde conta a história das suas “Vivian Girls”, um universo que criou em seis décadas às escondidas de todos até o seu quarto ser invadido após a sua morte. Na música também há “outsiders” para além daqueles que se gostam de chamar “underground” porque é uma forma de auto-promoção, como André Robillard, Daniel Johnston ou Wesley Willis… Podia dar mais mil exemplos que não se encontra nenhum paralelo com Wraygunn porque esta malta da banda não sofre de doenças mentais, sabe vender bem o seu peixe e têm tanta visão ou imagética como centenas de outros branquinhos do mundo ocidental que gostam de Rock.
O última tema do disco, I’m for real, tenta ser a única justificação deixada pela banda para se afirmar como criadores compulsivos e que se estão a cagar para categorias musicais, que ‘tão fartos de fakes e isso tudo. Yeah! Somos a cena real, tásjaver!? Sim vejo perfeitamente até porque até percebo "americano"... O que é bom na "cultura digital" é que tudo é imaterial, recebi o disco dos Wraygunn em sistema de descarga, ouvi o que tive de ouvir no Mediaplayer e a seguir deitei-o no caixote do lixo do PC. Só falta carregar na função “esvaziar reciclagem”.
Quinta-feira, 15 de Março de 2012
Mais mistérios africanos (work-in-progress)




Há um mês (creio) fui à Feira da Ladra e tive uma sorte! Cinco CDs de música Afro-Pop a Cinco Euros!!!!
Queria começar pelo mais xunga deles todos mas não encontro mesmo nenhuma informação. alguém sabe dos Two Faces (nome da banda e do disco) editado pela RMS (Reis Musica e Som lda) de 1997? São três elementos: Luis Rafael, Maya Cool e Bruno Castro... É uma espécie de Afro-Dance Music que lembra um kuduro "light", proto-kizomba e até mesmo reggaeton (o tema Remexe). As letras são de ressabiado ou de tímido que queria fazer amor com uma gaja, o gajo que canta sofre e é sofrível - além de rídiculo, no caso do tema 2 Faces, tema cantado em português e em inglês: O teu amor não é sincero / alimentaste o meu ciúme / nunca foi dado por inteiro / Não me amas-te de verdade [bla bla bla + um rap manhoso] You got 2 Faces! Agradeceria informações se alguém souber alguma coisa deste curioso agrupamento pós-qualquer-coisa de origem angolana (?). Entretanto já digitalizei a capa...
Vamos para Cabo Verde com Varela Monteiro Bodinho, um star do Funáná em balizas de Afropop bem definidas em que até de vez enquando entram guitarradas fatelas de Rock FM. Um só coração (Cape Disco; 2001) têm meia-hora de festinha roça - convém sempre ter namorada nestas andanças africanas! - em que temas como Projecto ou Ta Pila dão vontade de fazer coreografias badalhocas com... a pila. Divertido apesar do aspecto betinho do Bodinho q.b.
Segue-se para Raiss di Funáná que vão no seu terceiro registo com Dja bêm (Afro-Line; 2003). O nome não engana estamos perante um colectivo de Funáná - original do Bairro da Pedreira dos Húngaros - que existe desde 1998 com este nome embora a sua história remote ao final dos anos 80 como um grupo de dança e musical Pila-Kana. O primeiro tema do disco mostra que este grupo não são meninos com fraldinhas mijadas, aqui há seis homens de óculos escuros mafia-style e uma dúia com fúria de viver, que se atiram a ritmos altamente acelerados (que começa com um sample de carro a abrir!) que só com coca e speeds é que se consegue acompanhar isto! Parece que um gajo levou com a pila depois de ouvir estes 41m de música africana bombada à velocidade estúpida do mundo ocidental. Brutal!
Também a viver em Portugal, na Buraca, Jorge Nêto é um grande nome do Afropop com raízes em Cabo Verde, embora Dia diferenti (Cabo Verde Productions; 2003) tenha sido gravado na Holanda - como aliás, acontece com muita boa música de Cabo Verde! - quando o músico vivia por lá. Cheio de energia e percorrendo vários estilos: Kizomba, Funáná, Zouk, etc...
Por fim Biere Noire (ou Alain Deloumeaux?) é um granda alien! E não é porque tem pinta de bichona mas porque Lé 3B : ou inme tchouye ou pe mo (Atis;199_?) começa logo com um orgão tirado do espaço, o ritmo Zouk é bom para roçar e a voz do mano... a voz do mano! Canta num francês crioulado da Guadalupe (ilha nas Antilhas) mas com um timbre afemininado e arrastado que muitas vezes parece um pato disléxico - alguém imagina tal coisa? Pois... Algumas música são do pior como Maladie d'Amour, é do mais azeiteiro possível mas há outras de um mistério linguístico que encantam como Ka yo dire sou moin.
Sendo das Antilhas não deveria se quer estar nests "post africano" mas como é tão misterioso ao nível da informação como os discos africanos, lixa-se e fica a aqui mesmo... Afinal, quem percebe este gajo que ora assina Biere Noire, ou Jocelyne Bierre Noire ou Alain Deloumeaux? Que no blogue desactualizado dele tanto se auto-intitula como o "boss do zouk" como noutro lado qualquer na 'net é o "mendigo do zouk"? Descobrir a capa do disco? Ah! Tarefa de titã, tomem que digitalizei:
Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Natacha Atlas & The Mazeeka Ensemble : Ana hina (World Village / Harmonia Mundi; 2008)
No Domingo passado, passou uma grande dama da World Music! E a sala, aliás Grande Auditório - com um cheiro estranho - da Calouste Gulbenkian estava cheia de velhinhos, tias e gajas freak-chics que frequentam workshops de dança do ventre, suspeito. A senhora, que dizia há alguns anos que era uma "faixa de Gaza humana", dada às suas misturas étnicas (filha de sangues árabes, judeu, europeu, etc...) merece realmente ser recebida de sala cheia! Atlas incorpora tantas "geo-músicas" na sua discografia com momentos ABSOLUTAMENTE geniais como a sua versão I put a spell on you, que mostra que é o exemplo vivo de a Humanidade só sobrevive e evolue se for mestiça.
Este penúltimo álbum de Atlas frequenta o lado hispánico da música árabe (não nos podemos esquecer que os árabes tiveram colónias na Península Ibérica até aos século XV), algum Jazz de Diva cota e uma procura por Om Kalsoum, Farid Al-Trash, Fairuz e Abdel Halim Hafez - os dois últimos foram feitas três versões neste disco. A Electrónica parece ter sido erradicada nas últimas gravações de Atlas, ficando tudo ao calor do instrumento acústico. Felizmente que em estúdio a música funciona ao contrário ao vivo que pareceu-me xoninhas, pouco coeso e artificial para agradar caucasianos burgueses a caminho do Centro de Dia. Um perigo constante que a "world music" assiste, o de transformar música viva e expressiva de rua em música de câmara para os corpos mortos dos caucasianos. Atlas tem feito tanta operação plástica (para quem têm quase 50 anos a cara dela insiste em ser o de uma boneca de 20) que se deixar passar essas operações para a música, ela ainda se torna é numa faixa de gaze humana...
Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
#12

Capa e bd de Marcos Farrajota, com colaborações de Rafael Gouveia, Adrian Tomine, Janus e Leonor Gomes.
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix + Associação Chili Com Carne, Jul'97 - 100 (s/ corte do suplemento) + 100 exemplares fotocopiados
ESGOTADO - bd reeditada no livro Noitadas, Deprês e Bubas.
...
Terceira parte de Apontamentos de Noitadas, Deprês e Bubas. Incluia suplemento Meseira de Cabecinha #4. Momento de Glória: não há... o MdC nunca mais voltaria à fotocópia...
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix + Associação Chili Com Carne, Jul'97 - 100 (s/ corte do suplemento) + 100 exemplares fotocopiados
ESGOTADO - bd reeditada no livro Noitadas, Deprês e Bubas.
...
Terceira parte de Apontamentos de Noitadas, Deprês e Bubas. Incluia suplemento Meseira de Cabecinha #4. Momento de Glória: não há... o MdC nunca mais voltaria à fotocópia...
Publicada por
MMMNNNRRRG
em
12:11 PM
0
comentários
Etiquetas:
Janus,
Marcos Farrajota,
Mercantologia,
MESINHA de CABECEIRA
# onze

Capa de Julie Doucet. BD de Marcos Farrajota, com colaborações de Julie Doucet, Melissa da Silva, Geral, Mike Diana, Janus, João Fazenda, Katy, Rafael Gouveia e Marte.
Editado por Marcos Farrajota / FC Kómix + Associação Chili Com Carne, Mar'97 - 120 exemplares fotocopiados
ESGOTADO - bd reeditada no livro Noitadas, Deprês e Bubas.
...
Segunda parte de Apontamentos de Noitadas, Deprês e Bubas. Incluia suplemento Meseira de Cabecinha #3. Momento de glória: parte da bd foi feira durante a performance BD & Cafeína - 24 horas a fazer bd no espaço Ágora (1997) com o Rafael Gouveia.
Publicada por
MMMNNNRRRG
em
12:01 PM
0
comentários
Etiquetas:
Janus,
Marcos Farrajota,
Marte,
Mercantologia,
MESINHA de CABECEIRA,
Mike Diana
Subscrever:
Mensagens (Atom)



